"Se não soubermos esquecer, nunca estaremos livres de tristeza." (Provérbio Judaico)
Eu me olho ao espelho e quase não me reconheço. Como meu aspecto mudara desde os últimos acontecimentos, aquele não era eu, parecia o reflexo de outra pessoa. Minhas últimas atitudes também, meu fracasso em todas as outras áreas da minha vida também. Em tudo, eu estava diferente.
Nunca havia me imaginado perdido por entre os dilemas da vida, sem rumo e sem esperança.
Ultimamente minha maior indagação era por que continuar a viver? Por que não se entregar à morte, dar as mãos e seguí-la até o abismo, em vez de tardar algo que um dia terá de acontecer? Apesar do torpor da dor e dela me sucumbir a todo instante, eu não tinha coragem o suficiente para desistir, era fraco demais para isso.
Seguia aquela rotina de sempre, sem o meu sorriso de sempre, quando minha vontade era trancar-me em um quarto, permanecer escondido de tudo e de todos e sair dali somente um seculo após. Eu cumprimentava as pessoas com a mesma educação de sempre, quando minha vontade era não precisar usar das palavras. E então quando eu mais queria, quando eu mais precisava gritar, eu permanecia calado. Eu anseiava que alguém segurasse a minha mão, e me abraçasse forte, com o intuito de mostrar que eu não estava sozinho, mas isso nunca acontecia. Eu queria tantas coisas e não conseguia nenhuma. Eu era apenas mais um fracassado e continuava sendo um.
Então, decido-me a mudar, assim como nos outros últimos dias, decido sacudir a poeira, deixar as adversidades para trás e seguir. E sorrir. E ser feliz. Começo a me arrumar, a transformar o meu aspecto ruim no de alguém que se importa consigo mesmo. Mas não adianta, "aquilo" ainda está dentro de mim, ainda me tortura. Mas eu o ignoro, numa tentativa de não fracassar, de permanecer de pé. Eu devo isso à mim.



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